segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sorte de Varas e Touradas de Morte nos Açores? NÃO!

Sorte de Varas e Touradas de Morte nos Açores
Em 1998 foi apresentada, em Plenário do Governo Regional dos Açores, uma proposta legislativa através da qual se pretendia que nos Açores fossem introduzidas touradas de morte. Na altura, os Amigos dos Açores – Associação Ecológica organizaram uma campanha internacional que culminou com a apresentação de uma petição ao Parlamento Europeu.A intenção não avançou, tendo o Presidente do Governo Regional dos Açores comunicado ao Director do Eurogroup for Animal Welfare que a legislação não avançaria devido às "reacções negativas da opinião pública".
A 21 de Outubro de 1995, na ilha Terceira, realizou-se uma tourada à espanhola numa quinta particular, onde foram toureados e mortos dois touros. Na ocasião, tal acto foi contestado por várias pessoas singulares e colectivas, como os Amigos dos Açores – Associação Ecológica, algumas sociedades protectoras de animais e pelo Partido "Os Verdes", na Assembleia da República.
A 18 de Outubro de 2002, a sorte de varas viria a ser aprovada na Assembleia Regional dos Açores por larga maioria multipartidária. Esta legislação viria a ser entretanto "chumbada" pelo Ministro da República, já que não se revestia de interesse específico regional, de acordo com o Estatuto Político-Administrativo vigente. Nessa altura, os Amigos dos Açores – Associação Ecológica manifestaram-se contra aquele tipo de touradas já que, para além da barbaridade e da violência que promovem, nada têm a ver com a tradição regional.
Após a aprovação do novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores, em 2009, os "espectáculos e os divertimentos públicos na Região, incluindo touradas e tradições tauromáquicas nas suas diversas manifestações" são considerados "matérias de cultura e comunicação social", as quais compete à Assembleia Legislativa Regional dos Açores legislar (Artigo 63º da Lei n.º 2/2009, de 12 de Janeiro), começaram-se a sentir pressões de adeptos destas práticas de tortura animal para que se legislasse no sentido da regulamentação dos touros de morte e das corridas picadas.
Há cerca de duas semanas um deputado regional avançou com uma iniciativa no sentido de se regulamentar a sorte de varas nos Açores, promovendo inclusive uma tourada ilegal.
Anteriormente a esta proposta, foi criados vários movimentos cívicos de pessoas e associações que realizaram um abaixo assinado, uma petição e uma queixa à UNESCO, entre outras acções.
Numa época em que o desenvolvimento civilizacional leva a que municípios com antigas tradições taurinas se declarem livres de touradas, como o caso de Viana do Castelo, que o Parlamento Europeu possua um intergrupo para o bem-estar animal (que já foi presidido pelo eurodeputado açoriano Paulo Casaca), entendemos que a possibilidade agora discutida nos Açores para regulamentação de práticas taurinas de extrema violência, que não possuem qualquer sustento tradicional, representam um retrocesso civilizacional profundo.
É um grande paradoxo uma região que se tenta afirmar no contexto turístico internacional pela sua qualidade ambiental, passar a promover este tipo de tortura animal ainda para mais numa cidade património mundial da UNESCO, entidade que em 1978 proclamou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais.
Texto:
Associação Amigos dos Açores

3 comentários:

Rui Figueiredo Vieira disse...

A vergonha de Portugal!!! As touradas é a coisa mais trite e cretina contra os animais que pode existir. Como é que alguem pode gostar? Tenho esperança que a breve prazo as leis de protecção aos animais se tornem mais efectivas. Os meus cumprimentos

antonio costa gomes disse...

Não posso deixar passar em claro. Sou clara e frontalmente contra a tourada, tortura em animais ou morte de animais ou onde se promove esta pseudo-luta - pseudo porque não é justa. Espetar ferros no lombo do animal? É justo? Ainda posso tolerar os forcados, luta homem-animal... no entanto nem isso deveria ser tolerado, também... Já agora, porque vêm a talhe de foice, é exasperante a forma como nas entrevistas que dão a alguns orgões de comunicação social - que falta de cultura, quase analfabetos é a grande maioria. Coitados dos senhores e já agora, das senhoras. Porquê já se veêm algumas montadas nos cavalos - deveria ser ao contrário... o cavalo montado nas senhoras... não acham? Quando, por algum motivo, vejo algo que me desagrada, manifesto-o. Este é o caso. Desde sempre fui assim mas só agora achei que deveria tornar pública a minha revolta. Sou pelo touro - é inato - porquê, se por algum motivo a vejo, porque sou obrigado - o que é raro - porque me levanto e venho-me embora.
Mas estou sempre do lado do touro, ou do cavalo, desde sempre, senti este sentimento. Ainda bem que o tenho porque senão sentir-me-ia muito mal.
É vergonhoso que ainda se promova este acto utilizando palavras como tradição e cultura.
Mal está mal a tradição e a cultura quando se tortura animais. Só um ignóbil ou analfabeto pode ser a favor de tal acto. Revolta-me de tal maneira ouvir essas pessoas ou vê-las na televisão a defender o que é indefensável, mas porquê? No entanto estou muito convicto que tudo tem um tempo e esse tempo para as pessoas que aceitam este bárbaro acto está a esgotar-se. Depois, bem. Depois não podemos ter contemplações e devemos jogá-los no campo pequeno (até o nome condiz - campo pequeno tem graça é mesmo pequeno) e fuzilá-los. Deveriam ser fuzilados, mas como não me coloco ao seu nível vou ser benevolento e coloca-los-ei em trabalho de limpezas: em estábulos, agro-pecuárias ou em sítios onde o trabalho, geralmente é feito por outras pessoas.
Antonio P. Costa Gomes - jornalinho

Pedro Santos Vaz disse...

Portugal é pequeno em tamanho, mas imenso em alma, riquíssimo no que não é mensurável, mas que engrandece. Uma matriz comum feita de sentimentos, valores e referências que define a nossa identidade. Traços comuns que mostram quem nós somos: uma língua, uma música, uma bandeira, alguns heróis, uma religião... São muitos e, indubitavelmente, a Festa Brava é um deles, a corrida à Portuguesa o seu expoente.

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