quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Protesto anti-tourada em Baião




Protesto anti-tourada em Baião

No próximo dia 23 de Agosto irá realizar-se uma tourada em Baião, inserida nas festas de S. Bartolomeu. Junta-te a este protesto pacífico frente à praça de touros:
Sexta-feira, 23 de agosto de 2019 às 16h/17h
Ingilde, Baião


Enviem o seguinte e-mail de protesto

Para: geral@cm-baiao.pt, presidencia@cm-baiao.pt
Cc: Movimento pela Abolição da Tauromaquia de Portugal

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Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Baião Dr. Paulo Pereira

Excelência,

Escrevo a V. Exa. no âmbito da corrida de touros agendada para 23/08/2019 em Baião.

Tendo em conta que:

1. Os mais recentes estudos científicos comprovam, inequívoca e cabalmente, que os animais de várias espécies, incluindo touros e cavalos são seres sencientes capazes de sentir prazer, dor e sofrimento, físicos e psicológicos, e experimentar sentimentos de alegria, medo e angústia;
2. Touros e cavalos experimentam um sofrimento atroz, físico e psicológico, antes, durante e depois das touradas;
3. A legislação portuguesa reconhece a necessidade de protecção dos animais (“São proibidas todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os actos consistentes em, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal” Lei 92/95), mantendo uma inexplicável excepção para a tauromaquia;
4. A tauromaquia é uma prática cruel e obsoleta que tem suscitado enorme repúdio e indignação na sociedade civil portuguesa e mundial. Massacrar animais gratuitamente para entretenimento não é próprio de sociedades evoluídas e embaraça muitos portugueses face a uma Europa que se distancia cada vez mais de práticas bárbaras e que causam sofrimento a seres sencientes;
5. A tauromaquia é ainda uma prática perigosa para os seres humanos, a comprová-lo estão os incontáveis casos de lesões graves e muitas fatais entre os seus intervenientes;
6. Estudos comprovam que a violência para com animais predispõe à violência para com humanos, sendo que no historial de muitos criminosos constam inicialmente episódios de maus-tratos persistentes a animais;
7. A tauromaquia está em franco declínio e só subsiste nos dias de hoje graças a apoios mais ou menos explícitos por parte do Estado, quer através do poder central, quer através das autarquias;
8. As autarquias, por se encontrarem numa situação vantajosa de proximidade das populações, têm um papel fundamental na construção de uma sociedade mais civilizada, evoluída e distante de práticas que deveriam ter ficado no passado, e os executivos municipais têm por obrigação associar-se a eventos que promovam a evolução das pessoas e das regiões, ligando o seu nome a práticas positivas e construtivas de avanço civilizacional que o sec. XXI impõe.

Face ao exposto, peço a V. Exa. que faça tudo o que estiver ao seu alcance no sentido da não realização da tourada em causa ou de qualquer outra.

Com os melhores cumprimentos,

Nome:
NIF:
Morada:
Contacto:


terça-feira, 13 de agosto de 2019

A luta pelo fim das práticas tauromáquicas


Quando a palavra "sadismo" escapa de um dicionário, entrando na verbalização e na prática, é porque a razão nos deu o alerta para algo inconcebível e macabro!

A lei dos homens penaliza apenas alguns desvios comportamentais, enquanto aplaude outros, por considerá-los de menor importância, no entanto, a dantesca visão de qualquer ser vivo sujeito a tortura, é sem sombra de dúvida a imagem de sociedades doentes e destituídas dos seus valores mais básicos, éticos e humanos!

É assim com quem aplaude o sangue e é assim com quem dele sustenta os seus instintos mais primários, dominando e torturando os seres mais frágeis, por lhe ser vedado legalmente o direito de o fazer aos da sua própria espécie, o que apenas acontece a indivíduos enfermos, pobres de espírito, ou depravados mentais, com evidente baixa auto estima e dificuldades óbvias de inserção num universo de paz e igualdade que a todos deveria pertencer!

A tauromaquia é, portanto, um caso grave de saúde pública, analisado cientificamente em comunidades e países mais desenvolvidos, mas ainda propositadamente ignorado onde se pratica!

Sem me alongar por outros meandros do sadismo humano e porque estamos na época de certas "tradições" abjectas, hoje precisei mais uma vez de dar largas aos sentimentos, já que não me é possível regenerar certas consciências, nem curar as inúmeras demências que neste mundo teimam mascarar, com argumentos descabidos e ridículos.

Vamos então à tourada e às suas variações de sadismo, geralmente potenciadas pelo álcool. Porque será que esta "tradição" ainda resiste, conseguindo ainda ser defendida por alguns com tanto desespero?

Verificam-se igualmente estes comportamentos de frustração e violência gratuita, no futebol, na caça e em espectáculos onde se aplaudem animais abusados, em evidente sofrimento e stress.

O frágil conceito de "cultura", ganha, nestes casos contornos bem distintos da sua real essência contemplativa e didáctica, para se tornar o escape dos sentimentos mais sórdidos e imorais.

A Igreja Católica, desde sempre coesa com os poderosos e desvirtuando a sua  essência moral e compassiva, por iguais razões, compactua despudoradamente com estas práticas, porque questionar demais é perigoso e os "rebanhos" querem-se mansos, fáceis de manipular e sabiamente domesticados.

A corrupção fica assim impune, porque as instituições públicas continuam a financiar, tanto às claras como através de subterfúgios, todas estas atrocidades, enquanto as populações menos instruídas e esclarecidas, não percebem que esse escape das suas mais básicas frustrações, está apenas a ser usado para benefício das mesmas minorias que os enganam e exploram.

A luta pelo fim das práticas tauromáquicas, mexe com os interesses e vantagens de muitos, por isso, quando se contesta, ataca-se todo um sistema antagónico à evolução de um povo e ao seu direito à cultura, ao mesmo tempo que se formatam crianças para a continuidade de uma vergonha que coloca o nosso país na cauda das opiniões internacionais mais abalizadas e honestas.

É sem dúvida a corrupção e o compadrio que sustentam e vão mantendo possíveis, estas actividades que embora moribundas, só resistirão enquanto não se achar que é imperativo o seu desmembramento através da constante e aguerrida contestação, militância e do voto consciente, porque enquanto se alimentarem no poder governantes desonestos que se sentem seguros e protegidos por posições obsoletas e criminosas, jamais seremos um país digno de pertencer ao século XXI, nem seremos vistos por quem nos visita, como uma nação habitada por um povo civilizado, pertencente a uma velha Europa que apesar dos seus erros do passado, hoje se pretende exemplar pela sua cultura, ética e progresso.

Teresa Botelho



quarta-feira, 24 de julho de 2019

Provedor do Telespetador da RTP contra as touradas



Resposta do Provedor do Telespetador da RTP

"Muito agradeço ter-me dado a conhecer a sua opinião quanto à transmissão de touradas pela RTP. Vários telespetadores fizeram-me chegar idêntica posição. Outros, pelo contrário, elogiaram a RTP por esta transmissão e pedem mais.

Como saberá, já várias vezes tomei posição pública sobre este tema. O assunto também foi objeto de debate na Assembleia da República, com o resultado que é conhecido. Espero que no quadro da Assembleia a ser eleita este outono exista uma maioria política favorável à interdição de tais transmissões.

De qualquer, modo creio que no próximo ano haverá menos touradas na RTP1 e que, num horizonte temporal relativamente curto, a sua transmissão deixará de ser feita."

m/ cumprimentos,
Jorge Wemans
Provedor do Telespetador da RTP
"



terça-feira, 23 de julho de 2019

Basta de touradas na RTP!



ALERTA! - ESCREVA JÁ!

Em 2019 e apesar de toda a pressão e queixas por parte dos telespectadores, a RTP mantem a transmissão de touradas. É FUNDAMENTAL que expresse a sua opinião sobre o investimento de fundos públicos na transmissão de touradas. Escreva à Direcção de Programas e ao Provedor da RTP usando estes formulários:

http://media.rtp.pt/empresa/contactos/contact-center/
http://media.rtp.pt/empresa/provedores/enviar-mensagem-ao-provedor-do-telespectador

Pode expressar a sua opinião na página da RTP:
www.facebook.com/rtp

MENSAGEM SUGERIDA:
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Exmo. Senhor Diretor de Programas da RTP,
Exmo. Senhor Provedor do Telespectador da RTP,

Quero manifestar a minha indignação pelo investimento da RTP na transmissão de touradas na sua emissão, apesar das constantes queixas dos seus telespectadores.

Existem muitos motivos para que a televisão pública se abstenha de transmitir um espetáculo violento e cruel para os animais: as touradas serem o principal motivo de queixa dos telespectadores ao Provedor da RTP, já existem no mercado canais temáticos sobre touradas para o público aficionado e a violência das touradas foi incluída no último relatório de avaliação de Portugal do Comité dos Direitos da Criança da ONU que as classificou como “violência contra crianças”.

A violência contra pessoas e animais não pode ser considerada serviço público.

Por isso, solicito que a RTP ouça os seus telespectadores e se abstenha de transmitir touradas na sua emissão.

Com os melhores cumprimentos,

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Mais informação: http://basta.pt/rtp/


quinta-feira, 18 de julho de 2019

Morte de um cavalo




Grande momento de incultura, barbárie e morte em Coruche

A grande corrida em Coruche, no dia 6 de Julho, acabou com um cavalo morto, seis touros torturados e mortos, e dois cavaleiros e dois forcados feridos com gravidade.

Os dois cavaleiros foram transportados para o Hospital de Santarém, um deles com a cara suturada. Um dos forcados perdeu os sentidos e o outro ficou com fractura no maxilar, sendo transportado de helicóptero também para o hospital.

Pior correu para o cavalo, com fractura exposta numa das pernas, que foi abatido por não ter já qualquer utilidade para o violento negócio da tortura animal.

Mas ainda mais arrepiante foi a hipocrisia e a desprezível moral do cavaleiro, que afirmou: “a noite de Coruche foi a pior vivida em toda a minha carreira enquanto cavaleiro, enquanto homem, enquanto amante dos animais e, sobretudo, enquanto fiel amigo dos meus cavalos“.

Ser amante de torturar e matar animais não é a mesma coisa que ser amante e amigo deles. Converter em diversão e negócio a morte de animais e de pessoas não é certamente ser homem. E um país no qual este tipo de espectáculos é legal também não é certamente um país a sério.



quinta-feira, 4 de julho de 2019

Protesto contra a tauromaquia em Tomar



Protesto Anti-Touradas
Sexta-feira, 5 de julho de 2019
às 21:00
Praça de Touros José Salvador
R. de Coimbra, 2300 Tomar

Primeira Manifestação Anti-Tourada - Tomar, 5 de Julho. Queremos lutar contra o financiamento público das touradas e contra a tortura! Contamos contigo! Aproveita esta oportunidade para expressares o que sentes. Vamos lutar por quem não tem voz, por eles, por nós!

Movimento Anti-Tourada Tomar.
https://www.facebook.com/MovimentoAntiTouradaTomar/

Fonte: Facebook

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Proteste contra dinheiro público para apoiar touradas em Santarém



A Câmara de Santarém vai disponibilizar gratuitamente 400 bilhetes para cada uma das duas touradas que se vão realizar durante a Feira Nacional da Agricultura. Proteste enviando o texto abaixo ou outro personalizado à Câmara Municipal de Santarém. Use os seguintes contactos:

geral@cm-santarem.pt, am.santarem@gmail.com
c/c: matportugal@gmail.com


Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Santarém

Através da comunicação social tomámos conhecimento de que a Vossa autarquia vai apoiar a realização de duas touradas a realizar nos próximos dias 10 e 16 de junho, através da oferta de 800 bilhetes.

Atendendo a que:

1- As touradas são uma das expressões de uma cultura de insensibilidade e de violência que degrada quem as pratica e promove e que corrompe o prestígio do país e dos portugueses no estrangeiro, prejudicando o turismo de qualidade, pois muitas pessoas não estão dispostas a visitar um país onde tal barbaridade é permitida.

2- É conhecimento geral que ao fazer do sofrimento de um animal um meio de diversão, o Ser Humano está a propagar e banalizar a violência gratuita como forma de ser e estar na sociedade. Uma sociedade mais respeitadora, justa e pacífica constrói-se em grande medida na abolição de práticas de “divertimento” que se baseiam no abuso de animais.

Vimos manifestar o nosso repúdio pelo facto da autarquia presidida por V- Exª estar a apoiar uma atividade de extrema crueldade e abominável.

(Nome)



quarta-feira, 27 de março de 2019

Acção de Protesto - Câmara Municipal de Santarém




BILHETES PAGOS POR TODOS NÓS

A Câmara de Santarém vai gastar 20 mil euros este ano em bilhetes para oferecer (fonte: https://goo.gl/bv45io).

Não admira que seja a "praça mais barata do país". A Câmara Municipal comprou parte dos bilhetes para a tourada com o dinheiro dos contribuintes portugueses. Por isso É MUITO IMPORTANTE mostrar à Câmara que há muitos cidadãos que não concordam com esta medida e que não queremos que o NOSSO DINHEIRO seja usado para manter esta crueldade e violência com os animais.

É MUITO IMPORTANTE mostrar à Câmara que há muitos cidadãos que não concordam com o uso de fundos públicos para manter as touradas na cidade.

Escreva à Câmara de Santarém, na sua página:
www.facebook.com/CamaraMunicipaldeSantarem

ou utilizando este email:
geral@cm-santarem.pt

--- Mensagem sugerida ----

Exmos. Senhores,

Manifesto a minha profunda indignação pela decisão da Câmara Municipal de Santarém em prosseguir com a compra de milhares de bilhetes para touradas numa tentativa de cativar público para um espetáculo violento e cruel para milhares de animais, e cada vez mais contestado na nossa sociedade.

Sugiro que Santarém siga os exemplos recentes de Póvoa de Varzim e Viana do Castelo, e em parceria com a Santa Casa, reconverta a praça de touros num espaço de cultura e desporto que possa ser utilizado por todos, sem crueldade com os animais. Não aceito que o meu dinheiro seja utilizado desta forma, para perpetuar práticas que não respeitam os valores do nosso tempo.

Com os melhores cumprimentos,

-------

Plataforma Basta
www.basta.pt



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Escreva contra a garraiada na Trofa



Na próxima sexta-feira está prevista uma garraiada na Trofa, organizada pela Junta de Freguesia de Bougado e apoiada pela Câmara Municipal. Solicita-se o envio de um email de repúdio, por exemplo:


Destinatários:
geral@jfbougado-trofa.pt; geral@mun-trofa.pt; sergio.humberto@mun-trofa.pt

Título:
Repúdio garraiada

Ex.mo Sr. Presidente da Junta Luís Paulo Sousa,
Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal Sérgio Humberto,

Venho por este meio manifestar o meu total repúdio pela realização da garraiada que terá lugar na próxima sexta-feira (ainda por cima naquele que supostamente seria o dia dedicado às crianças).

O modo como tratamos os animais e como os perspetivamos denota o nosso grau de evolução. Este tipo de eventos em nada dignifica um concelho como a Trofa, nem o norte do país.

É também lamentável que este seja organizado e pago também com dinheiros públicos.

Melhores cumprimentos

----


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Menos touradas, menos público



Fizemos as contas aos últimos 10 anos e o resultado não deixa dúvidas. Portugal está a mudar e a nossa sociedade avança para a abolição das touradas.

Em 10 anos as touradas perderam metade do público e em 2018 atingiram o recorde mínimo de eventos realizados.

A plataforma Basta salienta que o número de espectadores é bastante inferior ao que é divulgado pela Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC), uma vez que o número de pessoas que assistem a touradas, é determinado por estimativa do Director de Corrida, que preside ao evento.

A Basta estima que o número real de espectadores seja cerca de 50% do apresentado pela IGAC.


Plataforma Basta de Touradas
https://www.facebook.com/Basta.pt/photos/a.472890756075069/2259082557455871/?type=3&theater


MATP - Boletim Informativo nº 41

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Escreva ao PS contra a redução do IVA nas touradas



O Grupo Parlamentar do Partido Socialista quer descer o I.V.A. das touradas para 6%! Está na hora de mostrar que são muitos os portugueses que não concordam com esta medida, que vai beneficiar um espectáculo que já não devia existir em Portugal.

ESCREVA JÁ ao Grupo Parlamentar do PS:
https://www.parlamento.pt/Paginas/enviarmail/CorreioGPPS.aspx

ou através do email:
gp_ps@ps.parlamento.pt

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Mensagem sugerida:

Exmos. Senhores Deputados do Grupo Parlamentar do Partido Socialista,
Quero manifestar a minha profunda indignação pela proposta do Partido Socialista para a redução da taxa do I.V.A. para as touradas.
Sendo um espectáculo violento e de grande crueldade para os animais, é incompreensível que seja concedido este benefício fiscal, pelo que solicito que não aprove esta medida.
Com os melhores cumprimentos,
(Nome)


Fonte: Basta


domingo, 18 de novembro de 2018

Primeiro-Ministro considera as touradas como una cultura de violência e de desfrute do sofrimento animal



António Costa (Primeiro-Ministro): "cidadãos que, como eu, rejeitam a tourada como manifestação pública de uma cultura de violência ou de desfrute do sofrimento animal."



Carta aberta de António Costa a Manuel Alegre
António Costa
11 de Novembro de 2018

Caro Manuel Alegre

Desculpe a demora, mas aproveito o sossego de um voo até Berlim para responder à sua carta aberta.

Por respeito pelo pluralismo e amor à liberdade, não subscrevo a frase habitualmente atribuída a Mahatma Gandhi "que o grau de civilização de determinada sociedade pode ser medido pela forma como trata os seus animais."

Prefiro pensar que as civilizações também se distinguem pela forma como tratam os animais. Como se distinguem pela forma como valorizam a dignidade do ser humano, a natureza ou se relacionam com o transcendente, por exemplo.

Não acredito numa hierarquia de civilizações, nem no exclusivismo identitário, nem no determinismo histórico da evolução civilizacional.

Por isso, afirmar que uma certa opção é uma questão de civilização não significa desqualificar o oponente como incivilizado. O diálogo de civilizações exige respeito mútuo, tolerância e a defesa da liberdade.

Ao contrário do que a frase de Gandhi pode fazer supor, uma mesma sociedade comporta diferentes visões civilizacionais.

Não, também não partilho o relativismo multiculturalista e defendo a universalidade de certos valores e direitos que são imanentes à condição humana, o primeiro dos quais a liberdade de consciência. Por isso, não sendo crente, reclamo a liberdade de não crer e respeito a liberdade de todas as crenças. Mas é intolerável admitir como expressão de tal liberdade, por exemplo, a mutilação genital feminina porque o valor da integridade física do ser humano não pode ser relativizado.

Tendo, por formação e personalidade, à moderação. Aprecio o reformismo e temo a revolução, sabendo que as mutações civilizacionais são processos muito complexos que ganham com maturação e interiorização progressiva de novos valores e que raramente se enraízam em processos de ruptura ou por imposição legal. O fervor anticlerical fracassou na laicidade que a inteligência de Abril pacificamente consolidou.

Por isso, não me receie como "mata-toureiros", qual versão contemporânea de "mata-frades".

Prefiro conceder a cada município a liberdade de permitir ou não a realização de touradas no seu território à sua pura e simples proibição legal e considero extemporâneo um referendo sobre a matéria.

Choca-me que o serviço público de televisão transmita touradas. Mas não me ocorre proibir a sua transmissão.

Contudo, reclamo também a minha própria liberdade e defendo a liberdade de quem milita contra a permissão das touradas.

O Estado não proíbe o consumo do sal ou do açúcar, mas deve informar os cidadãos dos riscos que o seu consumo comporta para a saúde e tem o dever de promover a educação para uma alimentação saudável. E quando o faz não atenta contra a liberdade de escolha alimentar de cada um.

Como a antiquíssima proibição da lide de morte tem sido aceite e até defendida pela generalidade dos aficionados.

A fiscalidade não se destina só ao financiamento do Estado. Deve ser também um instrumento de redistribuição de rendimentos e pode ser ainda promotor de políticas e indutor de comportamentos.

Claro que não é neutra, resulta de opções que têm de ter legitimidade democrática, que a nossa Constituição assegura, reservando ao Parlamento a competência legislativa em matéria fiscal.

Será ilegítimo distinguir entre diferentes géneros de espectáculos? Não. Seja por razões económicas, mesmo que muito discutíveis, como se pretende ao não abranger os "festivais". Seja por opções civilizacionais como já acontece com a pornografia.

A causa da promoção do bem-estar animal é absolutamente legítima e tem tido, felizmente, progressiva expressão legal, a mais relevante das quais a recente alteração do Código Civil, que deixou de considerar os animais como "coisas". Ou a limitação à utilização de animais em espetáculos de circo.

Como homem da Liberdade tem também de respeitar os cidadãos que, como eu, rejeitam a tourada como manifestação pública de uma cultura de violência ou de desfrute do sofrimento animal.

Será assim ilegítimo, totalitário, violentador da liberdade a não atribuição de benefício fiscal à tourada? O que seria então se lhe fosse dado um tratamento fiscal agravado, como acontece com o tabaco ou o álcool?

Bem sei que o novo politicamente correcto é ser politicamente "incorreto"... Mas então prefiro manter a tradição e defender o que acho certo, no respeito pela liberdade dos outros defenderem e praticarem o contrário.

Um abraço com estima, admiração e camaradagem.

António Costa



Fonte: Público


domingo, 4 de novembro de 2018

Em Defesa da Ministra da Cultura




Movimento pela Abolição da Tauromaquia de Portugal
Em Defesa da Ministra da Cultura


Numa intervenção recente na Assembleia da República, a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, em resposta a uma intervenção de uma deputada do CDS que defendia absurdos e inaceitáveis benefícios fiscais para as touradas, afirmou que “a tauromaquia não é uma questão de gosto, é uma questão de civilização”.

Na sequência de tal afirmação têm surgido as vozes do costume, isto é, daqueles que beneficiam em termos económicos das atividades tauromáquicas e dos que se divertem com o sofrimento de animais a pedir a demissão da senhora ministra.

O MATP, certo que está a interpretar o sentimento da grande maioria dos portugueses que não se revêm em espetáculos onde se torturam bovinos e onde cavalos também são vítimas, está solidário com as declarações da ministra da Cultura e continuará a sua luta pelo fim de uma atividade anacrónica.

Porto, 4 de novembro de 2018

A direção do MATP



quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Monsaraz: matar barbaramente é motivo de divertimento




A bárbara morte do touro em Monsaraz, amarrado e morto com facas pela população no passado dia 8, foi promovida pela Santa Casa da Misericórdia e apoiada pela Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz e pela Junta de Freguesia.

Significa que o dinheiro dos contribuintes portugueses foi gasto neste ritual macabro, considerado pelo Estado como parte da nossa cultura.

Quando a morte de um animal indefeso é motivo de divertimento reconhecido pelo Estado, significa que há algo de muito errado na nossa sociedade.

Mais grave se torna quando essas práticas são financiadas com o nosso dinheiro.

Está na hora de dizer Basta.

Fonte:  www.basta.pt


MATP - Boletim Informativo nº 38